quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

insônia 2

.... Mais uma vez o sono perdido, o pedal na madrugada e aqui estou de volta com o teclado. Não como um peso ou ainda por insônia. Considero insônia aquela dos preocupados e dos malfeitores. Insônia é p/ quem tem problemas. O meu caso é outro. Prefiro pensar que é apenas inspiração. Vontade de transgredir. Fazer o inverso. Só não vale ficar na cama de mal humor. O negócio é levantar e por o corpo p/ produzir, ver o que ele quer. O corpo é uma criança que a alma conduz, cuida e também deve ouvir. Às vezes não é o corpo que quer acordar. Às vezes queremos falar algo p/ nós mesmos e queremos estar bem acordados para assimilar. Às vezes é aquela sementinha que estava embernada e começou a germinar, querendo se mostrar, tirar conselhos ou simplesmente conversar. É engraçado quando notamos esses florescimentos. De idéias, de conceitos.
Eu lembro que certa vez a Denise me perguntou: Porquê será que logo quando deitamos debaixo desse monte de cobertas sentimos esse gelo? Na hora fiquei sem saber o porquê direito mas eu sabia que no fundo eu sabia. Sabia que tinha conhecimentos dos fatores básicos, dos motivos, mas não sabia realmente o porquê. Um outro dia, sem motivo algum me veio na cabeça: Sentimos frio porquê o calor não está na coberta. A coberta está na temperatura ambiente, que é claro que é baixa, já que as estamos usando. A pele nua sente o frio da coberta e depois começa a sentir o próprio calor do corpo isolado nas cobertas. A coberta não gera calor, é óbvio. Ela apenas isola e devolve o nosso próprio calor. Ela devolve uma parte de nós mesmos.
O homem sempre gosta do retorno de si. De se ver no espelho, de se ver nos filhos, de ver seus pensamentos em livros e principalmente de ser ver no seu próximo. Isso nos leva a gostar de estar com quem se assemelha a nós... gostar de ser correspondido. Nos pensamentos, gostos e atitudes. É mais uma forma de ver a si próprio. Como é bom quando passamos uma idéia, ou conhecimento ou pensamento e depois vemos alguém passando aquilo. È aquele sentimento de reafirmação.
Há também pessoas que gostam da companhia de pessoas medíocres, pois essas os vêem como sábios e adoram ficar repetindo tudo o que dizem. O ser humano é mesmo muito dependente do próximo. Por isso ninguém é totalmente livre...
A liberdade é sempre relativa e só é totalmente livre quem não tem ninguém. Li em algum lugar certa vez que só é livre quem não possui nada. É verdade. A liberdade é triste...
Comecei a pensar nisso agora há pouco no pedal. Sozinho na rodovia de bike. Quatro horas da manhã, só a lua me vigiava. De animação e prazer pelo passeio soltei um berro. Um berro longo e despreocupado. Logo no fim do berro ouço a música no mp3 dizendo “There`s nobody else, so we can be free”... Pronto. Uma frase me escancarou esse lado triste da liberdade.

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