sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ficando velho

Comecei a peceber que talvez esteja mesmo ficando um pouco velho, um pouco tiozão.
Mas logo eu?? Que sou tão meninão? Vocal de banda, fazendo valetudo e tudo mais?
Pois é. Comecei a reparar que muitas histórias que sempre me lembro com o pessoal tem alguma parte assim: Nossa, isso tem uns quinze anos. Vixe, eu tinha uns tantos anos. Parece que faz uma eternidade. Nem era eu, era outro, de vários... Mas uma surpresa que tenho é que por enquanto, pelo menos, isso tem sido bom. Sempre imaginei que um cara com trinta e poucos anos fosse um tiozão careta tentando se enturmar, forçando umas gírias, de moletom nos ombros... É engraçado que ao mesmo tempo que sou metamorfose sou o mesmo. Não me vejo diferente, ou imagino que não.
Uma coisa é certa. Sempre achamos que o certo somos nós...
Se você é adolescente, você sabe tudo, é o cara, todos os mais velhos estão por fora e são caretas.
Se você é adulto, pronto. Você já é adulto e ponto final, não precisa mostrar mais nada. Não deve nada à ninguém. Você já é homem igual à todo mundo.
Se você já é adulto à algum tempo, já acha que meninão está por fora e que ainda é meninão, mas está por dentro (está entendendo?). Você é que sabe o que é bom, começa a dar valor a coisas como boa música, boa comida, uma noite bem dormida. Não entende porquê todo mundo tem de esperar dar 10:00, 11:00 da noite pra sair de casa. Melhor é sair cedo, voltar cêdo, dormir bem. Melhor é não beber tanto, não passar mal.
É ler o manual, fazer do jeito certo, usar a ferramenta correta, ter um monte de ferramentas pra fazer um monte de coisas e não fazer quase nada...
Mas acho que aí começa a surgir uma coisa importante e essencial: A consciência que não se sabe tudo. Pensar antes de falar, principalmente antes de falar que se tem certeza. A consciência de saber que não se está tão por dentro (mas continua achando que estar por dentro hoje em dia já não vale a pena e por isso mesmo quem está por dentro hoje em dia é que está por fora. Aliás são todos uns moleques.)...
Você percebe que é vulnerável e que talvez estivesse sempre errado. Você percebe que quando era novo, você achava que sabia das coisas, era apenas uma criança e que adulto não foi diferente.
A questão é novamente: Enquanto pudermos pensar estaremos sempre mudando e evoluindo. Ou pensando evoluir, pois sempre achamos que neste momento estamos certo e no passado éramos tolos. Evolução aliás é a lei natural única para tudo no universo. Tente pensar em qualquer coisa no mundo que não evolua nuca. Não existe. Tudo se adapta. Tudo melhora. Tudo muda e nós mudamos o tempo todo procurando melhorar, aperfeiçoar. Se não de forma consciente, por forma de seleção natural ou qualquer outra coisa.
Metamorfose: busca. Natureza comum à tudo. Nada é definitivo e nada está pronto.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

óbvio

Tudo depois de pensado parece óbvio. O que difere o óbvio do subliminar, da conclusão concreta e final, é o quanto se pensa. Aliás, penso que, quanto se pensa é o que define nossa breve definição sobre qualquer coisa.
Aliás, durante o tempo que se pensa sobre qualquer coisa, não se tem uma conclusão final ou uma concepção eterna. Porque o pensamento sempre indaga e indagando sempre, encontra sempre novos ângulos e novas saídas. Novas idéias e novos porquês. Nenhuma idéia é final enquanto se pensa. Nem com a idéia de morte, se pensarmos que a morte não extingue o pensamento... A idéia só é final quando não se pensa mais nela. ...toda certeza é burra.

insônia 2

.... Mais uma vez o sono perdido, o pedal na madrugada e aqui estou de volta com o teclado. Não como um peso ou ainda por insônia. Considero insônia aquela dos preocupados e dos malfeitores. Insônia é p/ quem tem problemas. O meu caso é outro. Prefiro pensar que é apenas inspiração. Vontade de transgredir. Fazer o inverso. Só não vale ficar na cama de mal humor. O negócio é levantar e por o corpo p/ produzir, ver o que ele quer. O corpo é uma criança que a alma conduz, cuida e também deve ouvir. Às vezes não é o corpo que quer acordar. Às vezes queremos falar algo p/ nós mesmos e queremos estar bem acordados para assimilar. Às vezes é aquela sementinha que estava embernada e começou a germinar, querendo se mostrar, tirar conselhos ou simplesmente conversar. É engraçado quando notamos esses florescimentos. De idéias, de conceitos.
Eu lembro que certa vez a Denise me perguntou: Porquê será que logo quando deitamos debaixo desse monte de cobertas sentimos esse gelo? Na hora fiquei sem saber o porquê direito mas eu sabia que no fundo eu sabia. Sabia que tinha conhecimentos dos fatores básicos, dos motivos, mas não sabia realmente o porquê. Um outro dia, sem motivo algum me veio na cabeça: Sentimos frio porquê o calor não está na coberta. A coberta está na temperatura ambiente, que é claro que é baixa, já que as estamos usando. A pele nua sente o frio da coberta e depois começa a sentir o próprio calor do corpo isolado nas cobertas. A coberta não gera calor, é óbvio. Ela apenas isola e devolve o nosso próprio calor. Ela devolve uma parte de nós mesmos.
O homem sempre gosta do retorno de si. De se ver no espelho, de se ver nos filhos, de ver seus pensamentos em livros e principalmente de ser ver no seu próximo. Isso nos leva a gostar de estar com quem se assemelha a nós... gostar de ser correspondido. Nos pensamentos, gostos e atitudes. É mais uma forma de ver a si próprio. Como é bom quando passamos uma idéia, ou conhecimento ou pensamento e depois vemos alguém passando aquilo. È aquele sentimento de reafirmação.
Há também pessoas que gostam da companhia de pessoas medíocres, pois essas os vêem como sábios e adoram ficar repetindo tudo o que dizem. O ser humano é mesmo muito dependente do próximo. Por isso ninguém é totalmente livre...
A liberdade é sempre relativa e só é totalmente livre quem não tem ninguém. Li em algum lugar certa vez que só é livre quem não possui nada. É verdade. A liberdade é triste...
Comecei a pensar nisso agora há pouco no pedal. Sozinho na rodovia de bike. Quatro horas da manhã, só a lua me vigiava. De animação e prazer pelo passeio soltei um berro. Um berro longo e despreocupado. Logo no fim do berro ouço a música no mp3 dizendo “There`s nobody else, so we can be free”... Pronto. Uma frase me escancarou esse lado triste da liberdade.

insônia 1

Escrever... Escrever é preciso. Colocar as palavras e idéias em ordem. Se lembrar as grafias exatas, as idéias, os pensamentos e impressões... As impressões só vem as vezes. Desorganizadas, não se querem explicar.

Se expor ao menos ao papel. Porquê só assim se é sincero. Como o silêncio do Fernando Sabino... O silêncio diz tudo.. mas diz à quem. É preciso escrever o que ele diz. Escrevendo se pensa melhor. Se esmiúça a fundo.

Vou divagando, passando por lembranças e filosofias. Sem forma, sem dom, sem prática.

Minha memória falha. Cada vez mais. O que somos sem a memória? Ficamos presos ao presente. Sem nos alegrarmos pelas felicidades que vivemos. Precisando sempre de uma alegria nova a cada momento. A vida feita de imediatismo... Mas me lembro de ontem. Do céu repleto de estrelas. Do pedal inusitado de quinta feira. Da abençoada insônia tão praguejada pela ignorância do que iria me trazer. Deitado em minha cama vendo as horas passar. Irritado por não conseguir dormir. De mal com meu corpo. Porquê o corpo as vezes quer ditar, quer pedir, quer mudar. Mas na minha teimosia sempre quero abafá-lo. E ele me chamava à viver. Lá fora cada estrela por si só me chamava. Eu ignorava tudo. O ar gelado, as estrelas, o caminho. Então cedi. O jeito foi aproveitar o tempo e levar o corpo p/ sair. Sai as 4! Por farol na bike. Fazer o impensado. Pedalar de madrugada na rodovia. Sentado no banheiro pensando num trajeto. Adequando o espaço ao tempo. Espaço percorrido e apreciado. Sto Antônio, Itamogi, entrar na terra, o dia amanhecendo. Tudo tão perfeito como o funcionamento de um relógio. Desses que os avós levavam no bolso e que duram uma vida. Ou várias....