quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

insônia 1

Escrever... Escrever é preciso. Colocar as palavras e idéias em ordem. Se lembrar as grafias exatas, as idéias, os pensamentos e impressões... As impressões só vem as vezes. Desorganizadas, não se querem explicar.

Se expor ao menos ao papel. Porquê só assim se é sincero. Como o silêncio do Fernando Sabino... O silêncio diz tudo.. mas diz à quem. É preciso escrever o que ele diz. Escrevendo se pensa melhor. Se esmiúça a fundo.

Vou divagando, passando por lembranças e filosofias. Sem forma, sem dom, sem prática.

Minha memória falha. Cada vez mais. O que somos sem a memória? Ficamos presos ao presente. Sem nos alegrarmos pelas felicidades que vivemos. Precisando sempre de uma alegria nova a cada momento. A vida feita de imediatismo... Mas me lembro de ontem. Do céu repleto de estrelas. Do pedal inusitado de quinta feira. Da abençoada insônia tão praguejada pela ignorância do que iria me trazer. Deitado em minha cama vendo as horas passar. Irritado por não conseguir dormir. De mal com meu corpo. Porquê o corpo as vezes quer ditar, quer pedir, quer mudar. Mas na minha teimosia sempre quero abafá-lo. E ele me chamava à viver. Lá fora cada estrela por si só me chamava. Eu ignorava tudo. O ar gelado, as estrelas, o caminho. Então cedi. O jeito foi aproveitar o tempo e levar o corpo p/ sair. Sai as 4! Por farol na bike. Fazer o impensado. Pedalar de madrugada na rodovia. Sentado no banheiro pensando num trajeto. Adequando o espaço ao tempo. Espaço percorrido e apreciado. Sto Antônio, Itamogi, entrar na terra, o dia amanhecendo. Tudo tão perfeito como o funcionamento de um relógio. Desses que os avós levavam no bolso e que duram uma vida. Ou várias....

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